Universidade Federal do Rio de
Janeiro
Centro de Filosofia e Ciências
Humanas
Faculdade de Educação
Curso de Pedagogia
Disciplina Didática da Língua
Portuguesa – EDD361
Professor Doutor Marcelo Macedo
Corrêa e Castro
Aula: Concepções de ensino de Língua Portuguesa
Texto 1: SOARES, Magda. Concepções de
Linguagem e o ensino de Língua Portuguesa. IN:
BASTOS, Neusa B. (Org.). Língua Portuguesa: história, perspectivas e
ensino. São Paulo, EDUC, 1998.
1.Perspectiva da própria ciência
Psicológica
Política
Social
Cultural
Histórica
Sociopolítica
2.Até os anos 1950 -
Ensino restrito às elites.
Reconhecimento das normas e regras. Contato com textos literários.
Antologias e gramáticas escolares. Língua como sistema.
3.Anos 1960/70 –
Democratização da escola pública: aumento da oferta de vagas e ingresso nas
escolas de estudantes de camadas diversas, especialmente as populares. Planos
de desenvolvimento da ditadura civil-militar. Lei 5692/71. Língua como instrumento
de comunicação. Teoria da Comunicação. Área de Comunicação e Expressão.
4.Anos 1980 em diante – Redemocratização do país. Linguística,
Sociolinguística, Psicolinguística, Linguística Textual, Pragmática, Análise do
discurso. Língua como enunciação, discurso. Alfabetização e letramento.
Construtivismo. Psicogênese da escrita. Tendência sociointeracionista.
Texto
2:
BAGNO, Marcos. Esplendor da língua, miséria da gramática. Revista Práticas de Linguagem. v. 2, n. 2, jul./ dez.
2012. Juiz de Fora. Universidade Federal de Juiz de Fora/Faculdade de Educação,
2012. Disponível em <www.ufjf.br/praticasdelinguagem>
1. A limitação do foco de
análise à frase/oração
2. A drástica restrição do
conceito de “língua” exclusivamente à escrita e, mais restritamente, à escrita
literária e
3. A metodologia arcaica de
análise de uma língua viva como se fosse uma língua morta,
4. O explícito compromisso
ideológico com as camadas dominantes da sociedade
5. A construção desse modelo
artificial de língua “certa”
6. A atitude eminentemente prescritiva
7. O emprego de um instrumental
de análise que já vem pronto e acabado
Texto 3: Seguramente, esta será a última oportunidade em que
poderei dirigir-me a vocês. A Força Aérea bombardeou as antenas da Rádio
Magallanes. Minhas palavras não têm amargura, mas decepção. Que sejam elas um
castigo moral para quem traiu seu juramento: soldados do Chile,
comandantes-em-chefe titulares, o almirante Merino, que se autodesignou
comandante da Armada, e o senhor Mendoza, general rastejante que ainda ontem
manifestara sua fidelidade e lealdade ao Governo, e que também se autodenominou
diretor geral dos carabineros. Diante destes fatos só me cabe dizer aos trabalhadores:
Não vou renunciar!
Colocado numa encruzilhada
histórica, pagarei com minha vida a lealdade ao povo. E lhes digo que tenho a
certeza de que a semente que entregamos à consciência digna de milhares e
milhares de chilenos, não poderá ser ceifada definitivamente. [Eles] têm a
força, poderão nos avassalar, mas não se detém os processos sociais nem com o
crime nem com a força. A história é nossa e a fazem os povos. Trabalhadores de
minha Pátria: quero agradecer-lhes a lealdade que sempre tiveram, a confiança
que depositaram em um homem que foi apenas intérprete de grandes anseios de
justiça, que empenhou sua palavra em que respeitaria a Constituição e a lei, e
assim o fez.
Neste momento definitivo, o
último em que eu poderei dirigir-me a vocês, quero que aproveitem a lição: o
capital estrangeiro, o imperialismo, unidos à reação criaram o clima para que
as Forças Armadas rompessem sua tradição, que lhes ensinara o general Schneider
e reafirmara o comandante Araya, vítimas do mesmo setor social que hoje estará
esperando com as mãos livres, reconquistar o poder para seguir defendendo seus
lucros e seus privilégios.
Dirijo-me a vocês, sobretudo à
mulher simples de nossa terra, à camponesa que nos acreditou, à mãe que soube
de nossa preocupação com as crianças.
Dirijo-me aos profissionais da
Pátria, aos profissionais patriotas que continuaram trabalhando contra a
sedição auspiciada pelas associações profissionais, associações classistas que
também defenderam os lucros de uma sociedade capitalista.
Dirijo-me à juventude, àqueles
que cantaram e deram sua alegria e seu espírito de luta.
Dirijo-me ao homem do Chile, ao
operário, ao camponês, ao intelectual, àqueles que serão perseguidos, porque em
nosso país o fascismo está há tempos presente; nos atentados terroristas,
explodindo as pontes, cortando as vias férreas, destruindo os oleodutos e os
gasodutos, frente ao silêncio daqueles que tinham a obrigação de agir. Estavam
comprometidos. A historia os julgará.
Seguramente a Rádio Magallanes
será calada e o metal tranqüilo de minha voz não chegará mais a vocês. Não
importa. Vocês continuarão a ouvi-la. Sempre estarei junto a vocês. Pelo menos
minha lembrança será a de um homem digno que foi leal à Pátria. O povo deve
defender-se, mas não se sacrificar. O povo não deve se deixar arrasar nem
tranqüilizar, mas tampouco pode humilhar-se. Trabalhadores de minha Pátria,
tenho fé no Chile e seu destino.
Superarão outros homens este
momento cinzento e amargo em que a traição pretende impor-se.
Saibam que, antes do que se
pensa, de novo se abrirão as grandes alamedas por onde passará o homem livre,
para construir uma sociedade melhor.
Viva o Chile!
Viva o povo!
Viva os trabalhadores!
Estas são minhas últimas palavras
e tenho a certeza de que meu sacrifício não será em vão. Tenho a certeza de
que, pelo menos, será uma lição moral que castigará a perfídia, a covardia e a
traição. (Salvador Allende, 11 de setembro de 1973)
Texto 4: “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente
na angústia. Pelo que não temeremos, mesmo que a terra seja retirada debaixo de
nossos pés, que as montanhas sejam levadas até o oceano", (Salmo 46 da
Bíblia). "Deus está conosco. Sabemos que houve guerras, que há guerras, e
sabemos que ainda assim Deus será sempre exaltado entre as nações."
Elas [as novas gerações]vão se
lembrar que nós superamos a escravidão, a guerra civil, o fascismo, a recessão,
os motins, o comunismo e, sim, o terrorismo.
Estes últimos 10 anos têm
mostrado que os Estados Unidos não cederam ao medo. Nossos estádios estão
cheios de espectadores e nossos parques repletos de crianças que jogam bola.
Esta terra mantém o otimismo daqueles que foram enviados a lugares distantes e
com os valores daqueles que morreram pela liberdade humana. (Barak Obama, 11 de
setembro de 2011)
Próxima aula (18/9): BRASIL. Secretaria de Educação
Fundamental. Parâmetros curriculares
nacionais: língua portuguesa Secretaria de Educação Fundamental., Brasília,
1997.144p.
Ler
até o final do item Aprender e ensinar Língua
Portuguesa na escola.
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