quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Aula: Leitura (1)

Universidade Federal do Rio de Janeiro
Centro de Filosofia e Ciências Humanas
Faculdade de Educação
Curso de Pedagogia
Disciplina Didática da Língua Portuguesa – EDD361
Professor Doutor Marcelo Macedo Corrêa e Castro
Aula: Leitura
II Encontro Aberto
Convidada: Cesar Cardoso (escritor)
Tema: A experiência de escrever literatura infantil e juvenil
Texto: A baposa e o rode (Millôr Fernandes)
Por um asino do destar uma rapiu caosa num pundo profoço do quir não consegual saiu. Um rode, passi por alando, algois tum depempo e vosa a rapendo foi mordade pelo curiosidido. "Comosa  rapadre" - perguntou - "que é que esti fazá aendo?" "Voção entê são nabe?" respondosa a mapreira rateu. Vai em a mais terreca sível de teste a histoda do nordória. Salti aqueu no foço deste pundo e guardarar a ei que brotágua sim pra mó. Porér, sem vocem quisê, como é mau compedre, per me fazia companhode". Sem pensezes duas var, o bem saltode tambou no pundo do foço. A rapente, imediatamosa, trespostas nas cou-lhes, apoifre num dos  chides do bou-se e salfoço tora do fou, enquava berranto: "Adadre, compeus".
Moral: Jamie confais em quá estade em difuldém.
Depoimentos de escritores brasileiros contemporâneos
Que infelizes, esses que não gostam de ler ficção! Leio sobretudo ficção e poesia (Jorge Amado)

Ler e escrever eram formas de ultrapassar os limites e os constrangimentos da infância (Otto Lara Resende).

Na verdade, li muito numa certa época, mas mesmo esse muito foi sempre menos do que os outros(...)A simples descoberta, por exemplo, de que se pode pensar com a própria cabeça, independente dos juízes de autoridade, vale por todas as universidades e por todas as bibliotecas (Raduan Nassar).

(...) aprendi a ler muito cedo, sem quase saber que estava lendo. E ouso afirmar que as verdadeiras influências na minha formação foram Camões e o Tico-Tico (...) Há uma época de ler e uma época de reler, como diria o Eclesíastes. Agora, para descanso, estou na época de desler (Mário Quintana  ).

Por volta dos onze, doze anos eu já gostava muito de ler. Não havia televisão naquele tempo, não é? Gostava principalmente de livros de aventuras, o que me despertava vontade de escrever histórias iguais. Quando contava a algum amigo uma história que havia lido, costumava inventar muito por minha conta (Fernando Sabino).

Eu tenho uma inaptidão auditiva completa, mas sou muito visual e aprendi as letras com muita facilidade (...) Portanto, desde que me entendo por gente, tenho um livro ou um lápis na mão. Eu me lembro de um detalhe: cada vez que meu pai comprava livros de História, de Geografia, de Química, para eu estudar durante o ano, eu lia tudo de um fôlego só, por pura curiosidade. Não sabia nada de Química e lia aquele troço todo, do princípio ao fim, pelo prazer de ler (João Cabral de Melo Neto).

Suposições
1.Lia-se muito mais antes da existência da televisão e dos computadores pessoais.
2.O bom leitor escreve bem.
3.Os clássicos têm um valor inquestionável.
4.Asseguradas condições favoráveis à sua realização, a leitura torna-se uma atividade interessante.
Provocações
1.Saber ler é...
2.Saber ler é fundamental porque...
3.Precisamos saber ler...
4. Eu mesma/o leio...

Como um romance (Daniel Pennac)
1.O direito de não ler.
2.O direito de pular páginas.
3.O direito de não terminar um livro.
4.O direito de reler.
5.O direito de ler qualquer coisa.
6.O direito ao bovarismo.
7.O direito de ler em qualquer lugar.
8.O direito de ler uma frase aqui e outra ali.
9.Odireito de ler em voz alta.
10.O direito de calar.
                                                                                             
Segundo Trabalho para avaliação (para o dia 30 de outubro de 2013)

Descrição: Trabalho em grupo, a ser realizado parcialmente em sala de aula. Cada estudante deverá trazer para a aula do dia 23/10 um texto de literatura que considere adequado para trabalhar com alunos do terceiro ou quarto ano do ensino fundamental. A escolha do texto deverá estar justificada com base em dois aspectos: a qualidade do texto em termos não só do seu valor literário, como também  por seu potencial de leitura por parte dos alunos, e a sua relação com o programa de língua portuguesa da série em questão. Serão formados grupos com um mínimo de três e um máximo de cinco estudantes. As propostas de cada um serão examinadas por todos, a fim de se indicar até dois textos e suas respectivas justificativas. No dia 30/10, os grupos apresentarão os resultados de suas discussões. A apresentação será feita oralmente, dispondo cada grupo de quinze minutos para apresentar seu trabalho.
Referências
FERNANDES, Millôr. Fábulas fabulosas. RJ, Nórdica, 1991.
PENNAC, Daniel. Como um romance. Rio de Janeiro, Rocco, 1998.
VAN STEEN, Edla. Viver & escrever. V.1. Porto Alegre, L&PM, 1981.

VAN STEEN, Edla. Viver & escrever. V.2. Porto Alegre, L&PM, 1982.

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