segunda-feira, 13 de março de 2017

Bases conceituais: História externa da Língua Portuguesa



Universidade Federal do Rio de Janeiro
Centro de Filosofia e Ciências Humanas
Faculdade de Educação
Curso de Pedagogia
Disciplina Didática da Língua Portuguesa – EDD361
Professor Doutor Marcelo Macedo Corrêa e Castro
Aula: História do Português Brasileiro


A.      Antecedentes [1]

1.       Entre 4000 e 3500 a. C.: indo-europeu, maior família de línguas do mundo.
2.       De 700 a.C. até 600 d.C.: latim, língua derivada do ramo itálico do indo-europeu, oriundo da região do Lácio, na península itálica.
3.       Entre os séculos VII e IX d.C.: o latim vulgar dá origem ao romance, estágio entre o desaparecimento do Latim e o surgimento das línguas românicas, inclusive o Português.
4.       Entre os séculos IX e XIII, o romance do noroeste da península ibérica dá origem ao galego-português, posteriormente, Português.
5.       A partir do século XVI, expansão do Português, com sua chegada à África, à Ásia e ao Brasil.


B.       Marcos históricos

1.       Dominação romana                           III a.C.
2.       Invasões bárbaras                              V d.C.
3.       Invasões mouras                                VIII d.C. (711)
4.       Primeiros documentos                      IX d.C.(galego-português)
5.       Língua oficial                                       1290 (D. Dinis I)
6.       Renascimento                                     Língua franca, expansão,   consolidação como                                                                           literatura, Português moderno
7.       Atualidade                                           Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique          
Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor Leste


C.       Quadro: Variedades do Latim[2]


D.      Quadro: Distribuição aproximada dos falantes de português pelo mundo[3]

Portugal
10.000.000
Brasil (censo de 2007)
185.974.000
Moçambique (Censo de 1997)
6.000.000
Angola
(?) 1.600.000
São Tomé e Príncipe
67.000
Ilhas de Cabo Verde
285.000
Guiné-Bissau
570.000
Estados Unidos
365.300
Goa
250.000
França
150.000
Canadá (Censo de 1971)
86.925
Timor Leste
(parte da população de) 800.000
Macau
2.000


E.       O Povoamento e a implantação da língua portuguesa no Brasil[4]:

1.       Quatro focos no século XVI: São Vicente/São Paulo (1532, 1554), Olinda/Recife (1535), Salvador (1549) e Rio de Janeiro (1557);
2.       Dois focos no século XVII: São Luís do Maranhão (1612) e Belém (1616);
3.       Dois focos no século XVIII: Florianópolis (1738) e Porto Alegre (1752).


F.       Língua geral ou línguas gerais[5]

O êxito dos interesses mercantis da Coroa portuguesa e da ação missionária dos jesuítas na América dependia, evidentemente, da comunicação verbal entre os representantes dessas instituições e a população nativa. O que de início moveu o colonizador foi a perspectiva de fazer do território ocupado uma fonte de produção de alimentos e de obtenção de recursos naturais e minerais destinados ao mercado europeu. A interação do homem branco com as comunidades diversas de nativos só foi possível, inicialmente, graças à atuação dos línguas, geralmente indivíduos que tinham sido trazidos à colônia como condenados e que aqui, tendo aprendido as línguas dos índios, atuavam como intérpretes. Posteriormente, essa comunicação se deu principalmente por meio da língua geral ou de línguas gerais, designação com que tradicionalmente se identifica uma língua franca de base tupi ou guarani tanto nas transações comerciais quanto na catequese.

G.      Contribuição das línguas indígenas

Embora não seja possível estabelecer o número exato das línguas faladas no continente americano, quando da chegada dos primeiros europeus, Rodrigues (1993), partindo de Fernão Cardim (1584), calcula a existência de 1175 línguas, no Brasil, faladas por cerca de cinco milhões de índios, reduzidas, hoje, a cento e oitenta, faladas por cerca de 250.000 a 500.000 índios.[6]
O grosso das contribuições léxicas para o PB provém do tupi-guarani, que cedeu cerca de dez mil vocábulos, constantes em sua maioria de topônimos e antropônimos, a que se somam substantivos comuns designativos de vegetais e animais. Não se comprovou algum tipo de influência fonológica ou gramatical[7].


H.      Quadro: Contribuições léxicas indígenas ao PB[8]
I.         Contribuições das línguas africanas[9]

Os africanos trazidos para o Brasil integram duas culturas: a cultura banto e a cultura sudanesa.
A cultura banto cinde-se no grupo ocidental, originário do Congo e de Angola, e no grupo oriental, originários de Moçambique, Tanganica e região dos Lagos.  Seus representantes se fixaram no Rio de Janeiro, em São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, Alagoas e no Maranhão.
A cultura sudanesa compreende os fulas, os mandingas, os hausás, os fanti-ashantis, os ewês e os iorubas ou nagôs, originários da costa oeste africana: Sudão, Senegal, Guiné, Costa do Ouro, Daomé e Nigéria. Eles se fixaram principalmente na Bahia, vieram em número menor que os bantos, e dois séculos mais tarde.
[...]
Estima-se em trezentos o número de palavras africanas que foram incorporadas ao léxico do PB. São ainda escassos os estudos sobre as influências linguísticas africanas. Os primeiros textos atribuem aos africanos simplificações da morfologia nominal e verbal que outros tantos textos atribuem aos indígenas.
[...]
A extraordinária complexidade linguística dos povos africanos, associada à prática portuguesa de misturar suas etnias às dos indígenas para dificultar as revoltas, deve ter dado origem, após o século XVII, a um “dialeto das senzalas”, sorte de língua franca, segundo a hipótese de Castro (1980, 2001). Nesse dialeto, tanto quanto nas palavras que passaram para o PB, as línguas bantos tiveram grande importância.

J.        Quadro: Contribuições léxicas africanas ao PB[10]


[1] Fonte: CASTILHO, Ataliba T. de. Gramática do Português Brasileiro. São Paulo, Contexto, 2012.
[2] Idem, p.171.
[3] Ibidem, p.174
[4] Ibidem, p.174
[5] Fonte: AZEREDO, José Carlos de. Gramática Houaiss da Língua Portuguesa. São Paulo, Publifolha, 2008, p.536..
[6] Fonte: FÁVERO, Leonor Lopes. História da disciplina Português na escola brasileira. IN: Diadorim: Revista de Estudos Linguísticos e Literários – N. 6, (2009) -, Rio de Janeiro: UFRJ, Programa de Pós-Graduação em letras Vernáculas, 2009, v.: vi.
[7] Fonte: CASTILHO, Ataliba T. de. Gramática do Português Brasileiro. São Paulo, Contexto, 2012, p.180.
[8] Fonte: Idem, p.180.
[9] Ibidem, p.181-182.
[10] Ibidem, p. 181.

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