Centro
de Filosofia e Ciências Humanas
Faculdade
de Educação
Curso
de Pedagogia
Disciplina
Didática da Língua Portuguesa – EDD361
Professor
Doutor Marcelo Macedo Corrêa e Castro
Aula:
História do Português Brasileiro
1. Entre 4000 e 3500 a. C.: indo-europeu, maior família de línguas do mundo.
2. De 700 a.C. até 600 d.C.: latim, língua derivada do ramo itálico do indo-europeu, oriundo da
região do Lácio, na península itálica.
3. Entre os séculos VII e IX d.C.: o latim vulgar dá
origem ao romance, estágio entre o
desaparecimento do Latim e o surgimento das línguas românicas, inclusive o Português.
4. Entre os séculos IX e XIII, o romance do noroeste da
península ibérica dá origem ao galego-português,
posteriormente, Português.
5. A partir do século XVI, expansão do Português, com sua chegada à África, à
Ásia e ao Brasil.
B. Marcos históricos
1. Dominação romana III a.C.
2. Invasões bárbaras V d.C.
3. Invasões mouras VIII d.C. (711)
4. Primeiros documentos IX d.C.(galego-português)
5. Língua oficial 1290 (D. Dinis I)
6. Renascimento Língua franca, expansão, consolidação como literatura, Português moderno
7. Atualidade Angola, Brasil, Cabo
Verde, Guiné-Bissau, Moçambique
Portugal,
São Tomé e Príncipe, Timor Leste
C. Quadro:
Variedades do Latim[2]
Portugal
|
10.000.000
|
Brasil (censo de 2007)
|
185.974.000
|
Moçambique (Censo de 1997)
|
6.000.000
|
Angola
|
(?) 1.600.000
|
São Tomé e Príncipe
|
67.000
|
Ilhas de Cabo Verde
|
285.000
|
Guiné-Bissau
|
570.000
|
Estados Unidos
|
365.300
|
Goa
|
250.000
|
França
|
150.000
|
Canadá (Censo de 1971)
|
86.925
|
Timor Leste
|
(parte da população de) 800.000
|
Macau
|
2.000
|
E. O Povoamento
e a implantação da língua portuguesa no Brasil[4]:
1. Quatro focos no século XVI: São Vicente/São Paulo (1532,
1554), Olinda/Recife (1535), Salvador (1549) e Rio de Janeiro (1557);
2. Dois focos no século XVII: São Luís do Maranhão (1612)
e Belém (1616);
3. Dois focos no século XVIII: Florianópolis (1738) e
Porto Alegre (1752).
F. Língua geral
ou línguas gerais[5]
O êxito dos interesses mercantis da Coroa portuguesa e
da ação missionária dos jesuítas na América dependia, evidentemente, da
comunicação verbal entre os representantes dessas instituições e a população
nativa. O que de início moveu o colonizador foi a perspectiva de fazer do
território ocupado uma fonte de produção de alimentos e de obtenção de recursos
naturais e minerais destinados ao mercado europeu. A interação do homem branco
com as comunidades diversas de nativos só foi possível, inicialmente, graças à
atuação dos línguas, geralmente
indivíduos que tinham sido trazidos à colônia como condenados e que aqui, tendo
aprendido as línguas dos índios, atuavam como intérpretes. Posteriormente, essa
comunicação se deu principalmente por meio da língua geral ou de línguas
gerais, designação com que tradicionalmente se identifica uma língua franca
de base tupi ou guarani tanto nas transações comerciais quanto na catequese.
G. Contribuição
das línguas indígenas
Embora não seja possível estabelecer o número exato
das línguas faladas no continente americano, quando da chegada dos primeiros
europeus, Rodrigues (1993), partindo de Fernão Cardim (1584), calcula a
existência de 1175 línguas, no Brasil, faladas por cerca de cinco milhões de
índios, reduzidas, hoje, a cento e oitenta, faladas por cerca de 250.000 a
500.000 índios.[6]
O grosso das contribuições léxicas para o PB provém do
tupi-guarani, que cedeu cerca de dez mil vocábulos, constantes em sua maioria
de topônimos e antropônimos, a que se somam substantivos comuns designativos de
vegetais e animais. Não se comprovou algum tipo de influência fonológica ou
gramatical[7].
H. Quadro:
Contribuições léxicas indígenas ao PB[8]
Os africanos trazidos para o Brasil integram duas
culturas: a cultura banto e a cultura sudanesa.
A cultura banto cinde-se no grupo ocidental,
originário do Congo e de Angola, e no grupo oriental, originários de
Moçambique, Tanganica e região dos Lagos. Seus representantes se fixaram no Rio de
Janeiro, em São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, Alagoas e no Maranhão.
A cultura sudanesa compreende os fulas, os mandingas,
os hausás, os fanti-ashantis, os ewês e os iorubas ou nagôs, originários da
costa oeste africana: Sudão, Senegal, Guiné, Costa do Ouro, Daomé e Nigéria.
Eles se fixaram principalmente na Bahia, vieram em número menor que os bantos,
e dois séculos mais tarde.
[...]
Estima-se em trezentos o número de palavras africanas
que foram incorporadas ao léxico do PB. São ainda escassos os estudos sobre as
influências linguísticas africanas. Os primeiros textos atribuem aos africanos
simplificações da morfologia nominal e verbal que outros tantos textos atribuem
aos indígenas.
[...]
A extraordinária complexidade linguística dos povos
africanos, associada à prática portuguesa de misturar suas etnias às dos
indígenas para dificultar as revoltas, deve ter dado origem, após o século
XVII, a um “dialeto das senzalas”, sorte de língua franca, segundo a hipótese
de Castro (1980, 2001). Nesse dialeto, tanto quanto nas palavras que passaram
para o PB, as línguas bantos tiveram grande importância.
J.
Quadro: Contribuições léxicas africanas ao PB[10]
[1]
Fonte: CASTILHO, Ataliba T. de. Gramática
do Português Brasileiro. São Paulo, Contexto, 2012.
[2]
Idem, p.171.
[3]
Ibidem, p.174
[4]
Ibidem, p.174
[5]
Fonte: AZEREDO, José Carlos de. Gramática
Houaiss da Língua Portuguesa. São Paulo, Publifolha, 2008, p.536..
[6]
Fonte: FÁVERO, Leonor Lopes. História da disciplina Português na escola
brasileira. IN: Diadorim: Revista de
Estudos Linguísticos e Literários – N. 6, (2009) -, Rio de Janeiro: UFRJ,
Programa de Pós-Graduação em letras Vernáculas, 2009, v.: vi.
[7]
Fonte: CASTILHO, Ataliba T. de. Gramática
do Português Brasileiro. São Paulo, Contexto, 2012, p.180.
[8]
Fonte: Idem, p.180.
[9]
Ibidem, p.181-182.
[10]
Ibidem, p. 181.
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