Universidade
Federal do Rio de Janeiro
Centro
de Filosofia e Ciências Humanas
Faculdade
de Educação
Curso
de Pedagogia
Departamento de Didática
Disciplina: Leitura e Produção de Textos em Educação
Código: EDD 614
Professor
Dr. Marcelo Macedo Corrêa e Castro
Atividade 1: Memorial de entrada
Nos
últimos trinta anos aproximadamente, os estudos e as ações voltadas para a
formação de professores têm dedicado bastante atenção à escrita de caráter
autobiográfico como uma prática produtiva para o desenvolvimento profissional
de docentes. Ao narrar suas experiências, os professores se aproximam de uma
tomada de consciência sobre suas trajetórias, o que favorece tanto o exercício
de reflexões sobre escolhas feitas e quanto a busca de aperfeiçoamento de
práticas.
Como defende
Cunha (1997, p.190),
A perspectiva de trabalhar com as narrativas tem o propósito de
fazer a pessoa tornar-se visível para ela mesma. O sistema social
conscientemente envolve as pessoas numa espiral de ação sem reflexão. Fazemos
as coisas porque todos fazem, porque nos disseram que assim é que se age,
porque a mídia estimula e os padrões sociais aplaudem. Acabamos agindo sobre o
ponto de vista do outro, abrindo mão da nossa própria identidade, da nossa
liberdade de ver e agir sobre o mundo, da nossa capacidade de entender e
significar por nós mesmos. Para o educador esta perspectiva é fatal, porque não
só ele se torna vítima destes tentáculos, como não consegue estimular seus
discípulos a que se definam a si mesmos como indivíduos.
Com
base em compreensões dessa ordem, passou-se a estimular os professores em
formação, inicial ou continuada, a produzirem narrativas sobre suas vidas como
um todo, com destaque para suas trajetórias profissionais. Um gênero textual
ganhou destaque nessas produções: o Memorial.
Bastante
presente no mundo acadêmico, o Memorial consiste em uma narrativa comentada de
um dado percurso histórico. Em concursos para ingresso nas instituições de
ensino superior, os professores produzem memoriais sobre suas carreiras, nos
quais comentam uma trajetória que está contada apenas por meio de informações
em seus currículos profissionais. É uma forma de relacionar feitos e fatos com
motivos e consequências.
Para
Severino (2007, p.241),
Um memorial constitui, pois, uma autobiografia, configurando-se
como uma narrativa simultaneamente histórica e reflexiva. Deve então ser
composto sob a forma de um relato histórico, analítico e crítico, que dê conta
dos fatos e acontecimentos que constituíram a trajetória acadêmico-profissional
do seu autor, de tal modo que o leitor possa ter uma informação completa e
precisa do itinerário percorrido. Deve dar conta também de uma avaliação de
cada etapa, expressando o que cada momento significou, as contribuições ou
perdas que representou.
Para
um trabalho de formação, o chamado Memorial de Entrada tem sido usado com
sucesso no que se refere não só a produzir alguma espécie de avaliação
diagnóstica dos sujeitos em formação, como também para estabelecer, desde o
início, um protagonismo dos formandos em seus processos de aprendizagem. Ao
narrarem suas histórias, por um lado, os formandos dizem como se apropriaram de
suas experiências e, por outro, assumem um lugar de fala próprio para a
atividade dialógica de formação. Como afirma Cavaco (2002, p.48): “O que as
pessoas dizem na sua narrativa está também dependente dos contextos, expressam
o que pensam, o que acham que os outros pensam de si, falam do que são e do que
gostariam de ter sido e interligando todas estas vertentes constróem uma
narrativa coerente, que diz respeito ao significado que atribuem à sua vida”.
Vamos,
portanto, lançar mão das possibilidades que nos oferece a escrita do Memorial
de Entrada. Para participar melhor da atividade, fiz o meu, que não está aí
para servir de modelo. Como, todavia, uma marca identitária da escrita
acadêmica consiste no monitoramento da sua forma, embora a escrita do Memorial
envolva um grau de liberdade de escolha e de estilo, vamos tentar demarcar
alguns limites para o produto final dessa elaboração.
Seus
memoriais devem tratar das suas relações com a leitura e a escrita como um
todo, com referência específica ao ambiente escolar. Além disso, peço que
escrevam sobre as práticas de ler e de escrever na graduação. Em termos de
forma, proponho que escrevam textos com até mil palavras, adotandos os
seguintes parâmetros: letra Times New Roman 12; margens direita, inferior e
superior = 2,5cm; margem esquerda = 3cm; parágrafo justificado, com afastamento
de 1,25cm na primeira linha e espaço de 1,5 entre as linhas. Não se esqueçam de
colocar o cabeçalho, que pode ser o mesmo que usei neste texto, acrescido do
seu nome e da data da realização da tarefa.
Referências
CAVACO,
C. Aprender fora da escola: percursos de formação experiencial. Lisboa:
Educa, 2002.
CUNHA, M. I. da. CONTA-M E AGORA! as narrativas como alternativas
pedagógicas na pesquisa e no ensino Revista da Faculdade de Educação,
São Paulo: USP, v.23, n.1/2, p.185-195, jan./dez. 1997. LINK para o texto de
CUNHA: https://doi.org/10.1590/S0102-25551997000100010
SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. 23ª ed.
São Paulo: Cortez, 2007.
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