Centro de Filosofia e Ciências Humanas
Faculdade de Educação
Curso de Pedagogia
Departamento de Didática
Disciplina: Leitura e Produção de Textos em Educação
Código: EDD 614
Professor Dr. Marcelo Macedo Corrêa e Castro
Período Letivo Excepcional – 24 de agosto a 16 de novembro
de 2020
Texto do Tema 1
– Primeira Parte: Apresentação da Disciplina
Prezadas/os Estudantes,
Sejam bem-vindos à turma de Leitura e Produção de Textos em Educação,
EDD614, oferecida pela primeira na modalidade de ensino remoto. Começo este
nosso primeiro encontro com o convite para que enfrentemos juntos - com
cuidado, inteligência e criatividade - os muitos desafios da primeira experiência
de desenvolver de forma remota esta disciplina.
Neste tema, como mostra o quadro acima, farei
inicialmente uma apresentação da disciplina. A seguir, tratarei do nosso
primeiro gênero textual: o Memorial de Entrada. Por fim, farei a indicação das
atividades relacionadas com o tema de hoje.
1.
Apresentação Geral da disciplina
Leitura e Produção de Textos em Educação integra o
quadro de disciplinas optativas do Curso de Pedagogia da UFRJ. Desenvolvida por
diversos professores, ela tem servido de espaço para aprendizagem das práticas
de ler e de escrever predominantes no nosso curso de graduação, com destaque
para a leitura e a produção dos gêneros mais especificamente acadêmicos, como o
Resumo, o Artigo e o Anteprojeto de Trabalho de Conclusão de Curso, por
exemplo.
A disciplina, como determinam as normas da UFRJ,
possui um programa que pode ser acessado aqui (ver link ao final). Para o nosso
período, todavia, foi necessário fazer uma adaptação que permitisse
desenvolvê-lo dentro dos limites impostos pelo distanciamento social
imprescindível em tempos de pandemia de COVID-19.
Optei por um percurso que se estrutura em
atividades, mais do que em aulas. Haverá textos e videoaulas curtas, com os
conteúdos tratados na disciplina, mas o grande diferencial estará na realização
de atividades de leitura e de escrita a cada tema.
Outra opção importante foi pela adoção de um projeto
individual de produção textual por parte de cada estudante, que deverá ser
desenvolvido ao longo dos meses de agosto e setembro, para conclusão em
outubro. Essa escolha deriva do reconhecimento de que os estudantes se
encontram em momentos diferentes de suas trajetórias, o que certamente afeta
suas relações e suas expectativas no que se refere a ler e a escrever.
Faço a seguir uma descrição mais detalhada de como
preparei a versão remota da disciplina Leitura e Produção de Textos em
Educação, que já existia na plataforma AVA – UFRJ para apoio de aulas
presenciais
Depois de considerar as limitações de acesso a
dispositivos, plataformas e aplicativos, bem como o necessário cuidado para não
investir em uma quantidade de novidades com as quais provavelmente teríamos
dificuldades de lidar, optei por estruturar a disciplina com o uso de
ferramentas e concepções básicas. Nada impede que, ao longo do trabalho,
façamos mudanças, desde que haja acordo quanto aos nossos interesses e
possibilidades de lidar com elas. A disciplina está estruturada da seguinte
forma:
1.
Selecionei 10 temas para trabalharmos nas
12 semanas disponíveis no PLE. Com Isso, temos uma margem de manobra para o
caso de precisarmos de mais de uma semana para algum tema e/ou no de optarmos
pela inclusão de um tema que não integra a relação preparada por mim.
2.
São, portanto, 10 tópicos básicos, com uma
estrutura que prevê a apresentação dos temas, por meio de textos e de
videoaulas gravadas, e a realização de uma atividade de leitura e outra de
escrita.
3.
No início do tópico referente a cada tema,
haverá um esquema com indicação dos elementos básicos tratados, do roteiro
sugerido para os estudantes e dos recursos adicionados ao tópico.
4.
A estruturação básica de cada tema prevê: 1.
Um texto de cerca de duas páginas e uma videoaula de aproximadamente 15 minutos
sobre o tema; 2. A indicação de um texto para leitura; 3. A indicação de uma
atividade de escrita.
5.
Os estudantes deverão acessar as aulas
preferencialmente nas datas determinadas e realizar as tarefas propostas na
sequência sugerida de temas.
6.
No horário da disciplina, o professor estará em
uma sala de videoconferência, para debater com os estudantes sobre
dúvidas e questões específicas. O link para entrar na sala será enviado para
todos.
7.
Cada estudante desenvolverá um Projeto
Individual (PI) de escrita. Pode ser um Anteprojeto de Trabalho de
Conclusão de Curso (TCC), um capítulo do seu TCC, um Artigo de alguma pesquisa
de que participe ou um Ensaio sobre tema que o estudante escolher.
8.
O conjunto dessas produções constituirá o Portfólio
do estudante. No final da disciplina, cada estudante deverá ter em seu Portfólio:
Memorial de Entrada, o PI concluído, o Memorial de Saída e pelo menos três
outras atividades de escrita das indicadas nos temas. Fica a critério de
cada um incluir outros elementos que julgar pertinentes no Portfólio.
9.
O espaço para a troca de mensagens, envio de
trabalhos e de avaliações do professor será a plataforma AVA – UFRJ. Poderá ser
usado, por parte do professor, o recurso de envio de mensagens à turma,
disponível no SIGA.
Feita essa apresentação geral, passo a descrever
com mais detalhes as atividades propostas.
2.
Atividades relacionadas aos temas
Como destaquei na apresentação geral, o fio condutor
do trabalho estará centrado mais na realização de atividades por parte dos
estudantes do que em aulas convencionais. Isso permite uma flexibilização para
que cada um se organize como melhor lhe convier em termos de tempo e espaço,
mas também vai exigir que essa organização seja eficaz para que as
aprendizagens pretendidas aconteçam de maneira satisfatória.
Nesse sentido, configurei a disciplina para que o
estudante investisse na realização das atividades de cada aula o tempo
equivalente ao da carga horária semanal definido para encontros presenciais:
três horas-aula. Sugiro que cada um se organize para trabalhar com esses
parâmetros semanais, evitando acumular a realização e o envio de tarefas.
Tal organização tem implicações importantes para o
diálogo entre professor e estudantes, na medida em que a melhor dinâmica é
sempre aquela que permite ao professor e aos estudantes que a análise das
produções e as devolutivas por parte do professor ocorram em um ritmo
constante.
As atividades realizadas deverão ser postadas em
arquivo eletrônico na AVA – UFRJ. Para a sua realização, os estudantes deverão
seguir as instruções apresentadas no arquivo Modelo de Atividade.
3.
Avaliação
A avaliação será centrada na produção do Portfólio, conforme
distribuição apresentada a seguir.
O
Projeto Individual valerá 4,0 pontos.
O
Memorial de Entrada valerá 1,5 ponto.
O
Memorial de Saída valerá 1,5 ponto.
Cada
Atividade indicada em tema valerá 1,0
Para aprovação, deverá ser alcançado o grau 5,0
na soma das atividades realizadas.
Na Segunda Parte, tratarei do nosso primeiro gênero
textual, o Memorial de Entrada
Tema 1 – Segunda Parte: O Gênero Memorial
de Entrada
Nos últimos trinta anos aproximadamente,
os estudos e as ações voltadas para a formação de professores têm dedicado
bastante atenção à escrita de caráter autobiográfico como uma prática produtiva
para o desenvolvimento profissional de docentes. Ao narrar suas experiências,
os professores se aproximam de uma tomada de consciência sobre suas
trajetórias, o que favorece tanto o exercício de reflexões sobre escolhas
feitas e quanto a busca de aperfeiçoamento de práticas.
Como defende
Cunha (1997, p.190),
A perspectiva de trabalhar com as narrativas
tem o propósito de fazer a pessoa tornar-se visível para ela mesma. O sistema
social conscientemente envolve as pessoas numa espiral de ação sem reflexão.
Fazemos as coisas porque todos fazem, porque nos disseram que assim é que se
age, porque a mídia estimula e os padrões sociais aplaudem. Acabamos agindo
sobre o ponto de vista do outro, abrindo mão da nossa própria identidade, da
nossa liberdade de ver e agir sobre o mundo, da nossa capacidade de entender e
significar por nós mesmos. Para o educador esta perspectiva é fatal, porque não
só ele se torna vítima destes tentáculos, como não consegue estimular seus
discípulos a que se definam a si mesmos como indivíduos.
Com base em
compreensões dessa ordem, passou-se a estimular os professores em formação,
inicial ou continuada, a produzirem narrativas sobre suas vidas como um todo,
com destaque para suas trajetórias profissionais. Um gênero textual ganhou
destaque nessas produções: o Memorial.
Bastante
presente no mundo acadêmico, o Memorial consiste em uma narrativa comentada de
um dado percurso histórico. Em concursos para ingresso nas instituições de
ensino superior, os professores produzem memoriais sobre suas carreiras, nos
quais comentam uma trajetória que está contada apenas por meio de informações
em seus currículos profissionais. É uma forma de relacionar feitos e fatos com
motivos e consequências.
Para
Severino (2007, p.241),
Um memorial constitui, pois, uma
autobiografia, configurando-se como uma narrativa simultaneamente histórica e
reflexiva. Deve então ser composto sob a forma de um relato histórico,
analítico e crítico, que dê conta dos fatos e acontecimentos que constituíram a
trajetória acadêmico-profissional do seu autor, de tal modo que o leitor possa
ter uma informação completa e precisa do itinerário percorrido. Deve dar conta
também de uma avaliação de cada etapa, expressando o que cada momento
significou, as contribuições ou perdas que representou.
Para um
trabalho de formação, o chamado Memorial de Entrada tem sido usado com sucesso
no que se refere não só a produzir alguma espécie de avaliação diagnóstica dos
sujeitos em formação, como também para estabelecer, desde o início, um
protagonismo dos formandos em seus processos de aprendizagem. Ao narrarem suas
histórias, por um lado, os formandos dizem como se apropriaram de suas
experiências e, por outro, assumem um lugar de fala próprio para a atividade
dialógica de formação. Como afirma Cavaco (2002, p.48): “O que as pessoas dizem
na sua narrativa está também dependente dos contextos, expressam o que pensam,
o que acham que os outros pensam de si, falam do que são e do que gostariam de
ter sido e interligando todas estas vertentes constróem uma narrativa coerente,
que diz respeito ao significado que atribuem à sua vida”.
Vamos,
portanto, lançar mão das possibilidades que nos oferece a escrita do Memorial
de Entrada. Para participar melhor da atividade, fiz o meu, que não está aí
para servir de modelo. Como, todavia, uma marca identitária da escrita
acadêmica consiste no monitoramento da sua forma, embora a escrita do Memorial
envolva um grau de liberdade de escolha e de estilo, vamos tentar demarcar
alguns limites para o produto final dessa elaboração.
Seus
memoriais devem tratar das suas relações com a leitura e a escrita como um
todo, com referência específica ao ambiente escolar. Além disso, peço que
escrevam sobre as práticas de ler e de escrever na graduação. Em termos de
forma, proponho que escrevam textos com até mil palavras, adotandos os
seguintes parâmetros: letra Times New Roman 12; margens direita, inferior e
superior = 2,5cm; margem esquerda = 3cm; parágrafo justificado, com afastamento
de 1,25cm na primeira linha e espaço de 1,5 entre as linhas. Não se esqueçam de
colocar o cabeçalho, que pode ser o mesmo que usei neste texto, acrescido do
seu nome e da data da realização da tarefa.
Referências
CAVACO, Cármen. Aprender fora da
escola: percursos de formação experiencial. Lisboa: Educa, 2002.
CUNHA, M. I. da. CONTA-M E AGORA! as narrativas como
alternativas pedagógicas na pesquisa e no ensino Revista da Faculdade de
Educação, São Paulo: USP, v.23, n.1/2, p.185-195, jan./dez. 1997. LINK para
o texto de CUNHA: https://doi.org/10.1590/S0102-25551997000100010
SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico.
23ª ed. São Paulo: Cortez, 2007.